Monkey - Paper Mario
macaquinho balançando no final da caixa
macaquinho balançando no final da caixa

Jornada na Faculdade de Artes

A primeira vez que fiz enem foi com 16 anos, como treineira, e a segunda foi com 17, onde passei para o curso de Pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Honestamente, não lembro o que me fez tender mais para Artes, lembro que alternava entre Ciências Sociais e Artes, mas não queria licenciatura pois tinha receio de viver a vida inteira em um colégio, mas não tinha exatamente um plano pós formação. A nota não deu pra Artes Visuais na Federal, então botei Pintura na Estadual.

Eu era bem displicente, depressiva e autodestrutiva na adolescência, então não fui muito longe com o curso: reprovei em todas as matérias, não fazia ideia do que estava fazendo lá e perdi a vaga, isso em 2017. :p O ano seguinte, 2018, foi um borrão, morei um tempo com minha tia, fazia cursinho só pra não dizer que não fazia nada, rolezava muito rs, muitas histórias loucas. Mas acabei prestando vestibular para a mesma instituição e passei, mas não existia mais o curso de Pintura, agora era Bacharelado em Artes Visuais. Dessa vez eu estava mais disposta a entender o que era Artes Visuais, abri o currículo Lattes de todos os professores, vi a pesquisa deles e mirei em dois que gostei, com quem já peguei optativas no primeiro ano. Uma delas foi minha orientadora, e o outro é um bom amigo.

O primeiro ano, 2019, foi tudo de bom; em uma das minhas optativas, acabei me enturmando mais com a turma da noite, pois a galera da tarde era meio os pais levavam e buscavam, e eu queria ir pro bar depois conhecer todo mundo. Então no segundo ano mudei pra noite. E bum! Pandemia, 2020 e 2021. Não sei porque resolvi não trancar o curso, mas fiquei dois anos tendo aula a distância, onde não consegui ter aulas práticas em ateliês e as aulas teóricas eram ouvidas entre piscadas deitada na cama. Nada de relevante me aconteceu aqui.

Quando voltamos pro presencial, 2022, eu tinha deixado algumas matérias práticas pra fazer no presencial, então estava um pouco atrasada, além de que na pandemia não tivemos 1 ano, então teriam que ser 5 anos ao invés de 4. Nesse ano de volta no presencial, meu grupo de amigos estava dividido entre: quero me formar logo e odeio esse curso nem sei se quero me formar. Também não aconteceu nada de muito relevante, além da quebra de amizade com esse grupo, que foi muito bom para o meu rendimento acadêmico e profissional.

Arranjei um novo grupo, 2023, e comecei a finalmente viver as Artes Visuais! Estava junto com pessoas que iam a exposições, queriam expor, organizavam eventos, faziam e ministravam cursos. Nesse ano também consegui meu primeiro estágio na área, trabalhei em um ateliê de serigrafia. Minha esposa estava nesse grupinho novo, começamos a ficar nessa época. Nunca tive costume de visitar museus, mesmo fazendo o ensino médio todo ao lado do Museu Municipal, minhas memórias com o museu eram: levar meu primeiro enquadro com maconha na bolsa, furar o mamilo de uma menina da escola no banheiro do museu e cumprir serviço comunitário na biblioteca de lá pois fui pega pixando com 16 anos, etc.

Enfim, 2023 era o ano de TCC eu também tinha pego uma iniciação científica, estava sendo orientada pelos dois professores que havia mirado no começo do curso lol. Acabei não dando continuidade a IC, pois era sem bolsa, e antes de conseguir o estágio eu tive um emprego 6x1 8h que foi tenso. Esse era o meu 5o ano, e teoricamente último.

Apresentei o TCC, passei, peguei outra iniciação científica, dessa vez com bolsa. Pensei, vou ficar na graduação por mais um ano com estágio e bolsa, 2024. No final desse ano, senti que seria demitida do estágio, pois meus chefes eram um casal que tinha se separado kk. Então fiz uma entrevista prum outro estágio no setor de Pesquisa e Pós-Graduação da minha faculdade como quem não quer nada, e passei: fiquei com os dois estágios por alguns meses, até realmente ser demitida do ateliê. Esse novo estágio me permitia ficar 2 anos, 2025 e 2026, e como alguém que já tinha vivido a experiência insalubre de um 6x1 no atendimento, pensei em agarrar essa oportunidade e ficar mais dois anos na instituição. Nesses dois anos, peguei mais duas iniciações científicas com bolsa, totalizando 3 anos de IC com bolsa, uma tentativa de IC sem bolsa, várias apresentações em evento com publicação e participação no Circuito Universitário da Bienal Internacional de Curitiba.

Parece meio louco, mas eu estou há 8 anos nesse curso. Se tirar os 2 anos de pandemia, estou há 6. Em algum momento, ser estudante virou meu emprego: não posso fazer estágio e receber bolsa para fazer pesquisa sem ser estudante. Como me interesso mais pela área de pesquisa do que prática, acabei não sendo a pessoa que poderia dar sei lá, um curso de cerâmica, não fosse ser um caminho muito mais fácil. E para trabalhar em instituições na cidade infelizmente é um caminho para poucos e a maioria depende de sobrenome, que eu não tenho; não é a única forma, mas também não sou uma pessoa tão carismática, o que acho que também não ajuda. Enfim, esse ano eu finalmente me formo. Mas nesse percurso eu tive todos os meus primeiros empregos, tanto CLT quanto estágios, consegui sair da casa do meu pai e ir morar sozinha, agora casei e estou morando com minha querida esposa e nossa gata, então, no fim das contas, não sinto que estive estagnada; não acho que o diploma vá fazer tanta diferença na minha vida, infelizmente. Realmente as vezes o que mais importa é o caminho do que o destino final, e eu sinto que aproveitei ao máximo o caminho que me foi oferecido, estou em paz.

Amontoado de tatu bolinha de cerâmica

Esse semestre estou fazendo uma matéria de cerâmica na faculdade, e to com dois projetos, um deles é fazer um amontoado de tatu bolinhas de cerâmica! Estou usando três argilas diferentes: tabaco, branca shiro e terracota. O processo é fazer uma bolinha, cortar ela no meio para ocar a peça para que ela não exploda no forno, juntar as duas partes com barbotina (uma colinha feita com a própria argila diluída em água) e fazer os detalhes do tatu. Depois deixo ela secando um tempo e quando ela tá no ponto couro (antes do ponto osso, que é quando ela está pronta para a primeira queima) eu estou usando a técnica brunir, que é basicamente polir ela com um outro objeto até que a peça fique brilhante, sem precisar usar verniz para um acabamento com brilho.

A ideia é fazer vários tatus de vários tamanhos diferentes, e juntar eles em um montinho para serem expostos. Ainda não sei se faria uma espécie de grama ou terra embaixo para dar uma ambientada, ou se eles ficariam direto no chão mesmo; mas quando eu for expor eles eu decido, rs.

Por enquanto eu tenho uns 15 tatus modelados, alguns um deles já passou pelas duas queimas, outros estão na queima biscoito, e outros ainda precisam ser brunidos. Quando idealizei esse projeto pensei em muito mais, e maiores, mas acabou que o tempo e a quantidade de argila foram curtos; mas vamos ver, quero fazer pelo menos 20.

Infelizmente um deles rachou no forno da queima biscoito, bem na linha que eu fiz pra ocar ele, provavelmente porque esqueci de fazer um furo para liberar a pressão do buraco de dentro durante a queima. Mas tudo bem, agora eu tenho dois potinhos mal acabados.


@Repth